Nº 04 | DOMINGO, 06 DE AGOSTO DE 2023 |
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Nas democracias minimamente amadurecidas, a avaliação dos governos é dada por um cálculo objetivo entre o que seria ideal, e o que a realidade de fato entrega.
Vamos a alguns indicadores: pleno emprego x taxa de desemprego, inclusive desalento (quantidade de pessoas que desistiram de procurar trabalho). Qualidade e quantidade da oferta de serviços públicos essenciais (saúde, educação e segurança pública) de qualidade x indicadores objetivos de quantidade e qualidade da oferta destes serviços e sua eficácia.
Parece uma desrespeitosa obviedade para com você, meu caro assinante, mas entre nós brasileiros este também é um conceito que se corrompeu, como quase tudo entre nós.
Claro que o reparo ao ideal por ser conquistado deve se render a algum realismo imposto pelo tamanho do problema, como na origem de cada governo, a limitação de recursos, a percepção de prioridade compatível com os desejos das maiorias desorganizadas, versus a força de lobbies e grupos de pressão, por exemplo.
Deve-se sempre mirar o ideal, exigi-lo, pressionar por ele e compreender, se válidos, os fatores objetivos que inibem ou impedem sua conquista.
O fanatismo ideológico é a pior força corruptora desta energia essencial ao progresso humano. Ele sempre existirá. O que não pode é o que está acontecendo no Brasil. O fanatismo de lado a lado gera uma imensa força de acomodação entre todos, mas especialmente entre as vanguardas da sociedade civil.
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Até a imaginação entre nós anda meio colapsada. Fazer as coisas idealizadas já é muito difícil, imaginem não se ter sequer referências ao redor das quais organizar a luta? O problema é originalmente grave e espalhado em todas as camadas de nossa sociedade.
Parte é sequela do colapso ideológico europeu, de onde, de forma muito pouco autônoma, sempre bebemos nossas influências teóricas. No entanto, grande parte é problema aqui de dentro mesmo.
Que estética nos domina hoje? Artistas a favor da situação, desertando de seu papel insubstituível de excitar o imaginário popular em direção a uma visão crítica do ”status quo” e, mais importante, da idealização de uma sociedade sem as terríveis sequelas que carregamos?
Estudantes a favor do situacionismo violando o papel histórico que os jovens sempre tiveram de puxar a história para a frente?
Sindicatos e suas centrais a favor do governismo, abandonando seu papel revolucionário de organizar a força do trabalho contra a inclinação irresistível do capitalismo à produção de desigualdades e injustiças? Elites (no melhor sentido sociológico do termo) acomodadas geram governos corruptos e acomodados.
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“O tempore, O mores”. (Cicero 70 A.C.) Que tempos, que costumes! |
Estamos ferrados! (Toinho da Meruoca 2023 D.C.) |
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BANCO CENTRAL REDUZ TAXA DE JUROS PELA PRIMEIRA VEZ EM 4 ANOS! BRASIL PERMANECE CAMPEÃO MUNDIAL DE TAXAS DE JUROS! E AGORA? |
“Tá bom, mas tá ruim”. Esse ditado popular aprendido no sertão me orienta na análise da recente decisão do COPOM de reduzir nossa taxa básica de juros de estratosféricos 13,75% para estratosféricos 13,25% ao ano.
Uma rápida explicação aos não iniciados de porque este não pode ser um assunto restrito aos “iniciados” do economês: o governo, através do Banco Central, fixa a taxa básica de juros da economia, a chamada SELIC. Faz isto para administrar o manejo da dívida interna e, mais imediatamente, para combater a inflação, a chamada política monetária.
Para nossa vida comum, duas consequências centrais, embora não nos deixem saber bem do que se trata: o dinheiro que se paga de juros para a dívida interna sai do mesmo bolso de onde saem (mais precisamente não saem) os recursos para pagar pela saúde, pela segurança pública, pela educação e por tudo o mais.
Assim, quanto mais juros se paga, menos dinheiro “sobra” para estas tarefas públicas. 0,5% da SELIC custam ao redor de R$ 20 BILHÕES de REAIS POR ANO!
A segunda consequência prática é que a taxa SELIC é o piso acima do qual os bancos e crediários cobram, de todos nós, os juros de nossos financiamentos. Em cima da SELIC os bancos botam seus custos operacionais, o pagamento dos créditos que não conseguem receber, a monstruosa verba publicitária com a qual “anestesiam” a imprensa de maneira a deixá-los impunes em seus abusos e… os lucros exorbitantes (em comparação internacional). Sempre é bom lembrar: os lucros distribuídos aos acionistas não pagam um tostão furado de imposto de renda. Eu fui o último ministro da Fazenda do Brasil que, sob liderança de Itamar Franco, cobrei este imposto que o mundo organizado inteiro cobra. Em 1994!
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Ainda como consequência prática, na primeira, juros e rolagem de dívida representam já pouco mais da metade do orçamento do País. E, consequência prática da segunda, até vermos se o enrolado Desenrola vai funcionar, 71,45 milhões de brasileiros caíram no SPC/SERASA.
Assim, prestemos mais atenção ao assunto COPOM, SELIC, Banco central do que gostaríamos! Vamos lá: a decisão desta semana foi “boa” e foi antecipada a vocês, assinantes, na newsletter passada, em que afirmamos que “na melhor hipótese” a SELIC cairia 0,5%. Aconteceu a melhor hipótese, mas não o que precisaríamos mesmo! Penso que esta decisão reveste-se de um conteúdo teatral chocante, mesmo para quem, como eu, conhece bem o ramo e seus atores e diretores. Foi um apertadíssimo 5 a 4 a votação do comitê que decidiu entre 0,5% ou 0,25% de queda.
Galípolo, o diretor novo que Lula indicou (você assinante já tinha sido informado de que é mais uma raposa para tomar conta de galinhas, quero dizer, mais um banqueiro para a diretoria do Banco Central) votou junto com o satanizado Roberto Campos Neto, presidente do Banco, nomeado por Bolsonaro e mantido por Lula, “dando a vitória” apertadíssima ao 0,5%!
A possível queda de 1% ou de 2% não foram votados porque simplesmente NINGUÉM sequer cogitou que se poderia pô-los em votação também.
Protagonista e antagonista (alô Patrícia Pillar!) da peça encenada ontem, Roberto Campos e Galípolo cumpriram à risca seus papéis: o primeiro pisca o olho para Lula e o segundo acena para o mercado financeiro.
Coadjuvantes importantes e com papéis claramente combinados, os outros diretores da era bolsonarista, totalmente orientados por Roberto Campos, encenaram a defesa da diminuição de exíguos 0,25% e mostraram “ao mundo” que o COPOM é um órgão “técnico” onde a divergência teórica (????) acontece.
E, assim, se evitou, de novo, a discussão inadiável de porque o Brasil tem que ter a maior taxa de juros do mundo! A ocasião seria especial porque foi a estreia de 2 diretores (em uma diretoria de 9) indicados pelo governo Lula.
Se houvesse algo além de mera retórica, também meramente teatral, nas sucessivas “denúncias” do presidente da República sobre a direção do Banco Central, no mínimo, Galipolo (quando assessorava Haddad também criticou a condução do Banco Central) teria que ter comparecido à reunião levando um estudo técnico irrespondível que demonstrasse o erro de condução da política monetária brasileira.
Se não levou, o teatro se evidencia. Se não tem o estudo, representa o vazio teórico que caracteriza o governo e sua completa rendição à ditadura do rentismo (agiotagem oficial) que nos governa desde muito tempo.
O assinante da O Brasil Desvendado sabe já que este estudo é possível e já existe (economistas de alto nível ligados ao CAEN da Universidade Federal do Ceará rodaram o SAMBA – fórmula que pretende dar conteúdo técnico à taxa SELIC escolhida - e chegaram a 11% mais de dois meses atrás).
De lá para cá temos anotado deflação (queda de preços) importante nos preços do atacado, sobre o qual alguém pode pensar que é bom, mas, assim como veio, é sinal de recessão ou de estagnação econômica.
Mesmo com a queda de 0,5%, os juros reais no Brasil (diferença entre juros nominais e inflação) têm subido nos últimos meses! Na marcha que vai, se este teatro na verdade cristaliza um grande acordo de cúpula, como desconfio e denuncio, nós vamos chegar no fim do ano com uma taxa SELIC de estratosféricos 12,25% ao ano e ainda manteremos nosso lugar no triste e inexplicável pódio de maior taxa do mundo!
“Tá bom mas tá ruim”, portanto!
O sinal de queda e o anúncio de tendência continuada de queda é muito bom para o País mas, deixe eu repetir aqui outra consequência prática para nossa vida real do assunto taxa SELIC: se o governo paga por um papel, seguro e de curtíssimo prazo, um prêmio mais alto que o lucro médio possível na economia real (indústria e comércio, por exemplo) a economia tende à paralisia!
Simples de entender: se eu tenho dinheiro, porque iria investir numa atividade de risco que, na melhor hipótese, me daria entre 5% e 6% de lucro, menos da metade do que me dá de lucro aplicar este dinheiro na renda fixa (grandes aplicadores conseguem fácil aplicar a 120% da CDI)?
Ou, melhor entendendo a economia real de um Brasil empreendedor mas fortemente descapitalizado: como é que eu posso investir num negócio, com dinheiro emprestado, que me cobra de juros, SELIC, etc, entre 30% e 40%, se meu lucro não passa de 6%?
O assinante desta carta já sabe que o artigo 5º, inciso IV da Lei Complementar 179, de 24 de fevereiro de 2021, sancionada na calada da madrugada por Bolsonaro, em plena pandemia, mostra como o Presidente da República PODE trocar a presidência e toda a diretoria do Banco Central.
O atual governo não fez o que deveria ter feito e acha que vai nos entupir com a conversa fiada de que não poderia/deveria fazê-lo. Agora são dirigentes recém nomeados por Lula que se omitem de, ao menos, tensionar tecnicamente a diretoria de que são membros, na direção de dar conteúdo concreto e com densidade técnica irrespondível, de que está muito errada a condução da política monetária brasileira, como “denuncia” Lula, da boca pra fora. Vale lembrar aqui, embora muito pouco se tenha comentado, que a política do Banco Central, em vigor, nasce (e obedece) de um dos “pés” do famoso tripé macroeconômico, base do modelo econômico que nos legou Fernando Henrique Cardoso e que o PT mantém em todas as suas 5 oportunidades em que nos governaram e governam: META DE INFLAÇÃO!
Assim, o Conselho Monetário Nacional (dominado 2/3 por gente de confiança do Presidente da República: ministros da Fazenda e do Planejamento) define, com TRÊS ANOS DE ANTECEDÊNCIA a meta de inflação.
Pois bem, o governo Lula definiu como óbvio, já este ano, a meta para 2026: 3% de inflação, ou seja, manteve assim o MESMO VALOR que Paulo Guedes e companhia tinham definido para 2024 e 2025.
Vamos entender: Paulo Guedes (Bolsonaro) tinha definido metas de inflação declinantes para 2022 em diante (sempre com três anos de antecedência). Assim, para 2022 a meta era de 3,5%, para 2023, 3,25%, e 2024 e 2025, 3%.
O que o governo Lula fez foi manter este viés de baixa severa (especialmente no prazo) mesmo sabendo que a inflação mundial está elevada.
Nem mudaram esta regra, nem ao menos colocaram em debate a necessária adaptação destas metas a fatos tremendamente importantes, como a guerra na Ucrânia (que fizeram explodir os preços dos fertilizantes e do petróleo, por exemplo).
Muito da inflação que vivemos é causada de fora para dentro, portanto inalcançável pela política de juros abusivos de nosso banco central.
Que fique claro, portanto: ao assim proceder, o governo de Lula e do PT é responsável DIRETAMENTE pela política atual do Banco Central! Saímos de uma das eleições mais agressivas e radicalizadas de nossa história moderna e o que mudou em matéria de política econômica? NADA! É do que se trata.
Este arrocho monetário que é causa central de nossa estagnação econômica, afora outras, está sendo deliberadamente assumido pelo atual governo.
Teatros como o que assistimos esta semana tem um efeito muito consistente na opinião publicada entre nós. A realidade de um País que está proibido de crescer, entretanto, já se projeta também para o ano que vem. Ou crescer pífios 2% ao ano é tudo o que nos faz feliz? Foi esta taxa média que nos arruinou como Nação e nos levou à tragédia política que vivemos recentemente. |
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8 DE JANEIRO: BOLSONARISMO JOGA PELO EMPATE COM O PETISMO PARA ELIMINAR A REPÚBLICA |
Todos nos lembramos das cenas terríveis de vandalismo explícito provocadas pelo bolsonarismo aloprado no dia 8 de janeiro passado. Até evento de claro terrorismo foi flagrado: uma bomba foi colocada por marginais muito perigosos (um deles, contratado para cargo de confiança pela hoje senadora Damares, quando ministra) em um caminhão de combustíveis na iminência do aeroporto de Brasília. Sabe-se lá quantas vítimas poderíamos ter contado se a explosão tivesse acontecido.
Sendo assim, como de fato foi, a República e a Democracia precisam oferecer resposta severa, ágil, juridicamente irreparável (só presta assim, se de Democracia e de República estamos tratando) na apuração e punição exemplares a todos os envolvidos.
Vale mencionar o que queremos dizer como TODOS: executores, financiadores, mentores e autores intelectuais.
Vale lembrar que em um País de Judiciário muito “sensível” a humores políticos, na melhor teoria da culpa, a omissão dolosa ou culposa também é elemento subjetivo bastante para a condenação severa. |
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A exótica e pouco civilizada viagem de Bolsonaro para os Estados Unidos, horas antes de cumprir sua obrigação de entregar o poder ao presidente eleito, deve ser investigada com a profundidade necessária, de maneira a descobrir se ele evadiu-se do País para criar um falso álibi em relação ao que poderia saber que estava por acontecer.
Seria, claro, um caso de responsabilidade penal por ação comissiva, diria um bacharel à moda antiga. Trocando em miúdos, temos que apurar se Bolsonaro saiu de fininho de propósito para fazer de conta que não tinha nada a ver com o que sabia que iria acontecer.
Claro que ele tem direito, como qualquer um, à presunção de inocência, cabendo ao Estado produzir as evidências em contrário.
Trago este assunto a esta newsletter por duas razões práticas: nos aproximamos do 7 de setembro e já se “ouve” nas redes sociais um "zum zum zum" de que manifestações do mesmo jaez (é o novo!) poderiam estar sendo organizadas pela mesma gente portadora desta tara protofascista que viceja entre nós; e, dois, a Folha de São Paulo divulgou por estes dias o relatório “confidencial” (a esculhambação é geral!) de um inquérito policial militar promovido pelo Exército Brasileiro com vistas a apurar a possível responsabilidade de militares (por ação ou omissão).
Em relação à primeira de minhas preocupações (apenas em ordem de apresentação): brasileiros saiamos dessa! Democracia é valor definitivo. Não haverá retrocesso e, a quem perde, resta a tarefa de cobrar e criticar quem ganhou. Aceitem que dói muito menos! Razões para protestarmos contra o governo sobram! Façamo-lo (tremei Michel Temer!) pelos amplos caminhos da liberdade de expressão, de reunião e de manifestação. O vandalismo, especialmente contra o patrimônio público, é só selvageria e tira completamente qualquer razão que por ventura haja nas causas do protesto.
Vejam, por exemplo, a atual situação: um monte de gente presa, com a vida arruinada, enquanto covardemente Bolsonaro foge e depois embolsa, no patrimônio pessoal, R$ 17 milhões de reais na maior “rachadinha” da história da humanidade. Há um forte componente de “otariedade” nesta gente de quem tenho muita pena e a quem gostaria de respeitar. A segunda preocupação, entretanto, tem a ver com o jogo sujo que está acontecendo ao redor do assunto 8 de janeiro, e que já é chegada a hora de denunciar: o jogo de empate que o lulopetismo joga com o bolsonarismo ao redor dessa novela tão potencialmente perigosa para nossa Nação. Por enquanto, o ambiente do “jogo” é a CPI em curso no Congresso Nacional e a pouca atenção ao tema dedicado por nossa grande mídia.
Se é flagrante que foi o bolsonarismo quem praticou os atos de vandalismo e o episódio terrorista já descrito acima, porque é o bolsonarismo quem pede a CPI?
Se o nascente governo Lula, em última análise, era a vítima e alvo dos atos tresloucados, porque o governo fez tudo o que podia e não podia (emendas liberadas, cargos distribuídos, por exemplo) para impedir a CPI de se instalar?
A Brasília politiqueira vive de segredos de polichinelo (você sabe, mas O Brasil Desvendado também é cultura: segredo de polichinelo - vem da Roma antiga - é uma informação que devia ser secreta, mas que é do conhecimento geral).
Com os documentos a que já tive acesso, já dá para consolidar o que realmente aconteceu.
Em tempo: a nervosa e apressada resposta de Gleisi (faça tudo que o chefe ordenar) Hofmann, presidente do PT, à publicação do relatório pela Folha, só revela o nível máximo de tensão que Lula e o PT dão à tentativa de abafar o assunto. Buscam inclusive, o jogo de empate que classifica os dois (bolsonarismo e petismo), mas elimina a República, já nesta fase de grupo do "campeonato brasileiro do interesse público". Igual a Jamaica fez conosco (grande abraço Marta!).
Fato: a estrutura de inteligência (especialmente a ABIN) sabia, com muita antecedência, o que estava se armando para o 8 de janeiro.
Fato: a estrutura de inteligência AVISOU MUITAS VEZES às autoridades responsáveis pela segurança pública e especialmente pela segurança das sedes dos três poderes; Fato: O GSI, gabinete de segurança institucional, na data ocupado pelo General Gonçalves Dias, foi explícita e repetidamente informado do que poderia advir das manifestações do 8 de janeiro.
Fato: O general Gonçalves Dias serve a Lula desde que muito jovem oficial. Foi, inclusive, chefe da segurança de Lula, 20 anos atrás. Leal como um cão, homem honrado e excelente militar, em nenhuma hipótese deixaria acontecer o que aconteceu sem dar parte dos riscos e de TODAS as informações que detinha a Lula diretamente! (aqui está o estopim da bomba). Fato: no dia 06 de janeiro o GSI (já de posse de todas as informações que indiciavam o que viria a acontecer no dia 8, classificou a situação como de “NORMALIDADE” o que, no jargão dali significa, concretamente, que tipo de planejamento deve ser executado e que tipo de efetivo e apoios devem ser mobilizados. Fato: a partir do mesmo dia 06, o GSI recebeu nada menos do que ONZE ALERTAS da ABIN avisando da manifestação e dos riscos altos de vandalismo e depredação. Alguns destes alertas já falam em INVASÃO das sedes dos poderes!
Fato: o número de militares de prontidão no palácio do planalto no dia 08 era de apenas 36 homens, efetivo previsto para a situação de “normalidade”. Segundo o inquérito que enervou a burocracia petista, sempre de prontidão a executar as tarefas que o gênio político de Lula sabe serem graves (como é definitivamente o caso) o efetivo, para situações de risco incremental, é de, no mínimo, 110 homens, e a expedição de alerta ao Comando Militar do Planalto e à secretaria de segurança pública do Distrito Federal para a prontidão da força de reserva eventualmente necessária.
Fato: A ENTRADA PRINCIPAL DO PALÁCIO DO PLANALTO FICOU DESGUARNECIDA POR 45 MINUTOS DURANTE A INVASÃO!
Contrariando sua prática de proteger os seus, até na conta do abuso, Lula, demite sumária e desonrosamente o general Gonçalves Dias. Conta com sua lealdade canina de proteger o chefe a qualquer custo.
Mas as evidências superaram em muito a ideia nada crível de que o governo foi surpreendido pela horda bolsonarista. E todos nós entramos na onda de defesa da Democracia contra o “golpismo”. Claro que postas as coisas como foram, outra alternativa não nos restava. E agora?
Bem, agora a tentativa é de consumar o planejado: levar a CPI ao empate. Os “democratas” liderados pelo PT fecham os olhos para a necessidade de punição severa e exemplar dos vândalos, mentores, financiadores e, eventualmente, da apuração das responsabilidades diretas ou omissivas de Bolsonaro, do General Heleno e sua turba (estes claramente golpistas).
Em troca os bolsonaristas “esquecem” o fato cada vez mais provável de que Lula SABIA do que aconteceria e QUIS que acontecesse, porque – os episódios - ridiculamente imitados aqui - do Capitólio nos Estados Unidos, já revelavam a forte repulsa da sociedade norte-americana ainda que, como aqui, profundamente dividida entre Trump e o vazio “politicamente correto” de Biden . Dois problemas graves sucedem daí. De lado a lado, são fatos penais a serem julgados e condenados pelo Poder Judiciário. Este entraria no jogo de empate também? Seria terrível para a República e para a democracia e para o Estado de Direito se tal pudesse acontecer. O outro problema é: que nível de tolerância nossa simpatia política está disposta a sancionar na total falta de escrúpulos de nossos líderes de predileção?
Permitir, propositadamente, que atos como o de 8 de janeiro aconteçam para explorar politicamente seus efeitos, é vizinho ao fundo do poço de degradação política em que estamos atolados no Brasil.
Vamos acompanhar, na CPI e no Judiciário, os desdobramentos deste episódio triste para nossa vida nacional e manter você, assinante, completamente informado de tudo, doa em quem doer! |
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"EMPREGO EM ALTA? ONDE ESTÁ O MEU?"
PERGUNTAM OS MUITOS MILHÕES DE DESEMPREGADOS, DESALENTADOS E PRECARIZADOS |
O governismo cego estranhou minha leitura acerca dos últimos números de emprego no Brasil. Estatística é um cavalo arisco, difícil de montar, e, neste País, então, nem se fala.
Então vamos complementar as informações que esta newsletter já trouxe sobre o assunto.
O governo propagandeia a redução do desemprego aberto para 8%. Vamos radiografar este número e ver como ele não é propriamente uma resposta da economia real (vale lembrar: indústria, comércio, construção civil, serviços privados, os principais ramos).
Segundo a PNAD, pesquisa por amostragem de domicílios promovida pelo IBGE, o segundo trimestre deste ano teria anotado um crescimento de 1 milhão e 85 mil ocupações (!) no mercado de trabalho. Aqui estaria a “causa” da queda no desemprego.
Sucede que, destas mais de um milhão de vagas, NADA MENOS QUE 716 mil delas foram criadas na ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. |
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Isto mesmo, os governos (em si isto não é mal) criaram estas vagas. 66% ou, dois terços delas, são “cria” do governo e não da economia.
Evidentemente, não se revela tendência sustentável. Vale dizer, este pulso tem parte grande de “once and for all”, expressão que os americanos usam para dizer que um fato acontece uma vez e não se repete.
Vamos fazer a conta inversa. Somente um terço das vagas, ou seja, “apenas” 369 mil vagas foram criadas na economia real, esta que responde mesmo pelas oscilações do nível de atividade econômica.
A indicação de alta de mais de 11% no requerimento de auxílio desemprego em comparação com o mesmo período do ano passado, que está muito longe de ter sido brilhante, é o dado mais relevante das últimas estatísticas sobre o mercado de trabalho.
Devo também esclarecer ao assinante desta newsletter: as estatísticas brasileiras tem suas peculiaridades e, estas, muitas vezes são centralmente relevantes sem que as notas metodológicas sejam propriamente bem informadas ao grande público.
Desalento é como o governo chama a quantidade de pessoas que desistiram de procurar emprego e, por isto, não são contadas como “desempregadas”. Isto mesmo, para nossas estatísticas só é desempregado quem procurou emprego e não achou no último mês. Se desistiu, está no desalento, fora da estatística de desemprego.
Não importa, para o mundo oficial, se o cidadão não tem um trabalho e nem renda regular. Se não procurou emprego, se desistiu, se não tem dinheiro para pagar a passagem do ônibus na procura por vaga, está no desalento. Sabem quantos brasileiros, em idade de trabalhar, estão nesta condição? Quase quatro milhões de pessoas, ou seja, mais de 3% da população economicamente ativa.
Tem mais: “emprego” e “ocupação” em nossas estatísticas oficiais nada tem a ver com relação formal de trabalho. A “uberização” generalizada de nossa economia informa que quase 40% ( !!!!) de nossa população trabalhadora “ocupada” está na mais selvagem informalidade. Por agora, vale dizer, sem férias, sem descanso semanal remunerado, sem 13º salário, sem nenhum direito - lembra dos escravizados? Eles tinham casa e comida de seus senhores.
Mas, minha preocupação maior: estamos mandando ao futuro próximo quase metade de nossa população a uma velhice sem qualquer aposentadoria ou proteção. Isto não tem solução lá no futuro. Só providências urgentes tomadas agora podem (será que ainda dá?) produzir uma equação institucional para esta aberração.
O que pensa, propõe ou está disposto a fazer o 5º governo do PT em relação também a isto, perdoem-me perguntar, excelências do poder?
A “reforma trabalhista” feita pelo “golpista” vai ficar assim mesmo? Desculpem-me perguntar, Excelências do poder, mas, sabe como é, “perguntar não ofende” (saudades do Jô Soares). E a previdência? Mas aí já é querer saber demais não é, Excelências do poder?
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1. Racha no PCB expulsa o jovem intelectual Jones Manoel e mais outro tanto de velhos e novos militantes. Tenho muita dificuldade pessoal, científica, de aceitar as premissas da práxis marxista-leninista nos tempos modernos em que, por exemplo, fundos de pensão bilionários pertencentes à classe trabalhadora e aplicados com crueza capitalista turbo financista, distorcem premissas de apropriação da mais valia pelos capitalistas. Mas não é, nem de longe, minha intenção discutir isto, em trazer esta nota aqui. O que pode ter relevância neste “racha” e na tradição de “expurgos”, é o centro do debate. Interessa ao Brasil. Parte parece ser a questão de como Lenin leria a invasão russa da Ucrânia. Vale muito a pena discutirmos isto, não para “psicografar” o revolucionário russo, mas para acharmos uma posição nossa, brasileira, sobre este conflito revelador do fim da velha ordem nascida na 2ª guerra mundial, enquanto outra ordem nova ainda não nasceu. Mas, para mim que me sinto sufocado pelo adesismo despolitizado e acrítico das “esquerdas” brasileiras ao governismo neoliberal, rentista, corrupto, reacionário e fisiológico, quero mais deste debate. Jones Manoel dele se pode discordar, mas, como dizia meu velho pai, ele “sabe ler”!
2. E não é que a agência FITCH rebaixou a nota de risco dos títulos do Tesouro Americano? Nossa carta anterior falava nesta possibilidade pela projeção, a longuíssimo prazo, dos desequilíbrios duplos da portentosa economia norte-americana. Eles têm um monstruoso e crônico déficit fiscal e um monstruoso e crônico déficit comercial. A tudo mascaram impunemente porque são detentores solitários do poder de emitir o dólar. E esta moeda segue (ainda?) sendo a única reserva de valor internacional e o termo único de trocas comerciais no mundo. E esta franquia eles mantêm “manu militari” (Em latim, pela força militar) se e quando necessário.
Esta agência FITCH é mesmo muito doida, ou todas elas, talvez, ou, ao invés de doidas, são mesmo é serviçais da especulação financeira global.
Deixa eu dizer porque eu disse na newsletter anterior que um rebaixamento destes seria “pura bobagem”. É que mais de 90% das reservas cambiais do planeta terra estão hospedadas em títulos da dívida norte-americana. Só um exemplo: a grande tensão internacional hoje (é a nova “guerra fria”) tem os Estados Unidos e a China como pólos, pois bem, a China mantém suas reservas trilionárias em… Dólar. E a Fitch reduziu a confiabilidade desta dívida e melhorou a brasileira. Precisa dizer mais alguma coisa?
3. Outro assunto grave que nos “distraiu” nos três primeiros meses do governo Lula que assumiu e não propôs nada, perdendo a hora mágica que o começo do governo dá no presidencialismo à brasileira, foi a tragédia Yanomami. Cenas de crianças e idosos esquálidos, só pele e osso, correram o mundo. Lula foi lá, deu ordens, foi para a mídia brasileira e internacional. Esta semana dou a palavra ao líder e Xamã dos Yanomamis, DAVI KOPENAWA, que falou: “Continuamos a morrer. Os médicos não conseguem chegar, não tem apoio, nem medicamentos. Não tem transporte, nem gasolina. E os garimpeiros estão voltando. Lula está devagar, muito devagar”. Voltaremos ao assunto!
4. Reproduzo na íntegra, porque autoexplicativa, informação que colhi no canal Arte da Guerra, do comandante Robinson Farinazzo, sob o título Amazônia em risco:
“O presidente do Peru, José Pedro Castillo Terrones foi eleito democraticamente no ano de 2021; - Castilho tinha uma política voltada aos interesses da sociedade peruana, bem como uma agenda internacional independente, na qual buscava uma melhor integração entre os países da América Latina; - Porém, uma oposição furiosa aliada à imprensa mainstream dificultaram ao máximo sua capacidade de governar; Castilho recebeu um impeachment em dezembro de 2022, foi preso e em seu lugar assumiu a Vice-presidente, Dina Boluarte; - Uma das primeiras medidas de Boluarte foi trazer tropas norte americanas para o Peru. Com 70 votos a favor, 33 contra e 4 abstenções, o Congresso peruano aprovou o adestramento militar das Forças Armadas por tropas norte-americanas, que já ocupam múltiplas bases por meio do US SOUTHCOM (Comando Sul) desde do anos 1990, durante a ditadura Fujimori. As “zonas de conflito” onde as tropas norte-americanas treinarão as forças armadas peruanas incluem Lima, Callao, Loreto, San Martín, Huánuco, Ucayali, Pasco, Junín, Huancavelica, Cusco, Ayacucho, Iquitos, Pucusana e Apurímac, regiões que sofreram uma violência incrível por parte do regime golpista durante os protestos nos últimos cinco meses. Algumas dessas regiões também são áreas de protesto ativo contra corporações mineradoras, como a mina de cobre Las Bambas em Apurímac, onde há bloqueios ativos e protestos de comunidades afetadas pela mineração que envenena suas águas e terras”. Acrescento eu: o governo brasileiro vai omitir-se também em mais este grave precedente?
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