Nº 07 | DOMINGO, 27 DE AGOSTO DE 2023 |
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Populações de nações de grande dimensão territorial - como Estados Unidos e Brasil- tendem a minimizar, ou mesmo desconhecer, a importância central em suas vidas das relações internacionais.
Entre os norte-americanos, por exemplo, o conhecimento médio da população sobre a geografia e a história internacionais passa muito longe da presença ostensiva que o estado norte-americano mantém no mundo inteiro. Uma presença que seus governos garantem, se necessário a ferro e fogo, porém, que preferem exercer, cada vez mais, com mecanismos de inteligência, propaganda e guerra híbrida.
Tarefa em que se tornam cada vez mais especializados, com a utilização de técnicas sofisticadas de manipulação da democracia.
Seja no território anárquico da internet, ou na utilização criminosa de brechas da sagrada e insubstituível liberdade de imprensa.
Nós, brasileiros, nos parecemos muito com o norte-americano médio no fato de não dar muita bola pro resto do mundo. E pagamos literalmente caro por isso. Pouca gente entre nós está devidamente informada de que, a depender da forma com que o país é conduzido em suas relações com o mundo, nossas vidas práticas sofrem, disto, uma influência central!
Uma interação deveria já ser de pleno conhecimento de todo o nosso povo. O preço de praticamente tudo o que consumimos - mesmo no precaríssimo universo do consumo popular - depende do valor do dólar norte-americano, por força da quase generalizada internacionalização de nossa economia.
Vale repetir o que, quem me acompanha, já está cansado de saber: o povo não compra nem vende dólar, mas come pão, toma remédios ou usa o celular.
Pois bem, isto e mais quase tudo que consumimos é valorado em dólar porque é importado do estrangeiro.
Os que vendem nos cobram em reais, mas a quantidade de reais do preço que somos obrigados a pagar é toda ditada pela taxa de câmbio, ou seja, por quantos reais precisamos para comprar um dólar.
Se sobe o dólar, sobe tudo aqui dentro. Se cai o preço do dólar, caem os preços em real. Pão é feito de trigo e o Brasil importa do estrangeiro grande parte do trigo que usa.
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E tudo que se compra no estrangeiro tem-se que pagar em dólar, assim, repito para tentar a compreensão popular, “pão é trigo e trigo é dólar“.
Mais de 80% dos ingredientes de nossos remédios são importados do estrangeiro. Tudo pago em… dólar. Toda a eletrônica (tablets, celulares, TVs, por exemplo) importados do estrangeiro em… dólar. Oitenta por cento do valor de um carro “produzido no Brasil” são importados em… dólar.
Esta semana nos trouxe a notícia da reunião dos BRICS (sigla que significava “Brasil, Rússia, Índia, China e South Africa”). Muita coisa potencialmente relevante pode derivar das decisões tomadas nessa reunião, especialmente com a formalização de convite para que seis novos países se agreguem aos atuais membros : Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Irã, Etiópia e Argentina.
Precisamos dar uma atenção profunda a este assunto porque as máquinas de propaganda norte-americana, israelita e europeia já acionaram todos os seus tentáculos poderosos sobre nós, bem como o antiamericanismo oco do lulopetismo também já tenta nos distrair do que de fato importa e do que verdadeiramente está acontecendo. Sejam os potenciais extraordinários ainda muito distantes, ou, igualmente, os riscos explosivos.
Já comentamos aqui que os sinais de esfriamento da economia chinesa impactarão expressivamente em nossos números econômicos a medio prazo, e também devemos por um olho na tendência de alta (ainda que moderadíssima) da taxa de juros norte-americana que igualmente mexerá com nossa economia, no curto prazo.
Enfim, chamo a atenção de que precisamos, os brasileiros todos, exigir de nossas estruturas de informação e de educação que apoiem a ampliação da oferta de temas internacionais em nossa vida coletiva até que chegue um dia em que esses assuntos - tão graves para nossas vidas quanto silenciados pelas estruturas dirigentes de nosso país- sejam tão populares quanto a discussão que estamos fazendo, nos bares Brasil afora, sobre o favoritismo do Palmeiras para ser campeão da Libertadores (com todo o respeito a Fluminense e aos nossos adversários argentinos).
A propósito é também um sintoma, digno de nota, a corrente de jogadores “globais” saindo da Europa e indo jogar na Arábia Saudita, cuja as estrelas mais fulgurantes são Cristiano Ronaldo e Neymar. Tudo faz parte de um só fenômeno, e, se ficarmos desatentos a ele, vamos perder de goleada.
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BRICS AMPLIADO – POTENCIAIS E RISCOS |
O fim da segunda guerra mundial inaugurou uma nova ordem internacional. Nas primeiras quatro décadas a hegemonia do Atlântico Norte, liderado pelos norte-americanos (com alinhamento automático e, digo eu, nada critico dos europeus), sofreu algum contraste, especialmente no plano militar, com o bloco da chamada “cortina de ferro” liderado pela extinta União Soviética.
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A vitória, sem contraste, dos Estados Unidos na corrida tecnológica, especialmente, mas nos planos político e militar, inaugurou a ordem do mundo unipolar com a debacle do Pacto de Varsóvia e a, plena de simbolismo, queda do muro de Berlim.
Com a notória aceleração dos tempos históricos em que vivemos, esta ordem unipolar está dando sinais eloquentes de estar em seus anos finais. Mas, tenhamos clareza e humildade diante dos fatos, uma nova ordem parece estar longe de poder se estabilizar; e os conflitos potenciais da transição são extremamente delicados e perigosos. |
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A invasão da Ucrânia pela Rússia é apenas um exemplo do potencial explosivo de conflitos que a humanidade vive nesta transição histórica. Levar uma organização militar, com seus mísseis de curto e médio alcance, como a OTAN está fazendo, até a iminência física de centros nevrálgicos da geografia e da história da velha Rússia (Helsinki, capital da Finlândia está mais perto de São Petersburgo do que Fortaleza de Juazeiro do Norte, no Ceará), parece ser mais que um erro, mas uma irresponsabilidade histórica. Algo semelhante como foi a insustentabilidade do Tratado de Versalhes que, remotamente, levou o povo alemão ao desespero, à tragédia econômica e ao regime nazista de Hitler.
Mas a caricatura da filiação da Finlândia ou da Suécia à OTAN é uma gotinha d’água no fato de que Lituânia, Letônia e Estônia, por exemplo, revelam o cerco físico da Rússia em suas fronteiras!
Em direito, chamamos de exercício arbitrário das próprias razões a iniciativa da Rússia de invadir a Ucrânia, e isto, mesmo com as razões óbvias militando em seu favor, não foi uma iniciativa legal à luz do direito internacional.
Em 1962 os soviéticos pretenderam estabelecer uma base de mísseis de médio alcance, com ogivas nucleares, em Cuba. Kennedy colocou a mão no gatilho de seus artefatos nucleares e deu um ultimato à União Soviética, estabelecendo um embargo naval. Foi o momento mais próximo do holocausto nuclear que a humanidade já viveu. Quem tem dúvidas da razão absoluta dos norte-americanos neste episódio? Eu não tenho! A truculência que os brasileiros sofreram em abril de 1964 tem tudo a ver com este episódio da guerra fria.
A propaganda não diz, mas naquela ocasião Kruschev, o líder soviético, conseguiu uma troca: os norte-americanos tinham já estabelecido bases de mísseis nucleares na Turquia e estes foram desmantelados em troca da aceitação pelo soviético do ultimato sobre Cuba.
Resta dessas preciosas informações históricas duas consequências para hoje: não é o direito e sim, ainda, a força e a violência o que prevalece nas relações internacionais e, sem um antagonismo relevante e dissuasório, as potências unipolares se sentem autorizadas a fazer e desfazer qualquer coisa que lhes pareça oportuno ou interessante, literalmente.
O maior fator, entretanto, de negação da ordem unipolar ainda em vigor, embora em decadência, é a emergência rapidíssima (sob o ponto de vista dos tempos tradicionais da história) da China ao cenário internacional.
E aqui é uma emergência completa: política, comercial, militar e TECNOLÓGICA! Lembrando que a China tem, “no trocado”, uma população maior do que a América do Norte (1,42 bilhão de pessoas, contra 339 milhões).
O mundo pobre nunca se viu bem acomodado nestas “ordens”todas, e tende, historicamente, a se manter disperso e manipulado como marionetes por formas diversas de submissão que vão desde o colonialismo selvagem (Argélia, Congo, África do Sul, por exemplo) até alinhamentos obtidos pelo suborno e propaganda ideológica e violência (Chile, Brasil, Argentina, Paraguai, por exemplo).
Não que não houvesse tentativas de “insurgência“, mas logo levadas à desmoralização ou à política de terra arrasada dos impérios. Por exemplo, o “terceiro mundismo”, o movimento dos não alinhados e, mais recentemente, o “movimento” dos “países do Sul”.
Sempre faltou organicidade, sempre faltou agenda prática em comum, sempre sobraram rancores (ainda que compreensíveis) e desconfianças. Tudo isso falo aqui porque TUDO ISSO está, de novo, presente nos desdobramentos potenciais e atuais (acreditem, já deflagrados) da reunião do BRICS e de sua expansão.
O que menos precisamos neste momento é da ridícula disputa imagética sobre o “triunfo” ou o “fracasso” de Lula no episódio. O fato em si é pleno de potenciais e de ameaças. É nisto que precisamos nos concentrar.
O Presidente do Brasil anda certo em lutar para que o mundo evolua para uma ordem multipolar assentada no direito e na não violência. O BRICS, ampliado, pode vir a ser uma iniciativa importante nesse rumo.
Mas, para ser, é preciso dar conteúdo e organicidade ao grupo. Do ponto de vista brasileiro e da nova “maioria” a se formar na nova arquitetura, o que devemos exigir é prático: preferências comerciais industriais, transferências tecnológicas sensíveis e financiamentos rebeldes às instituições mofadas e dominadas de Bretton Woods (Banco Mundial e FMI, especialmente).
Que a China deseje ampliar sua influência no mundo é compreensível, e isto não é mau, em si, mas já escrevi em meu último livro que não interessa ao mundo, nem ao Brasil, trocar de imperialismo.
A Rússia, fragilizada contemporaneamente pelo estúpido isolamento econômico que o Ocidente, manipulado pelos EUA, lhe impôs, está momentaneamente muito vulnerável à influencia chinesa.
A Índia joga um jogo duplo muito hábil em que, ao tempo em que mais que apoia e estimula a iniciativa do novo BRICS, aprofunda seus laços com a América do Norte, inclusive em temas militares.
É ancestral a tensão entre China e Índia, bem assim como a tensão desta com o Paquistão; e aqui, é bem pragmático, o apoio norte-americano é explícito à Índia.
Que nosso Itamaraty profissional se esforce para domar o voluntarismo lulopetista. Que o ego, algo descalibrado, de Lula possa ser esmerilhado por muito realismo e por um esforço diário de controle de ingenuidades ditadas menos por idealismo e mais para provar ao mundo que “o Brasil está de volta“.
É muito bom mesmo pararmos de passar vergonha internacional pelo brucutu que o povo brasileiro elegeu quando escolheu Bolsonaro. Mas olhar para o futuro é a tarefa de agora. E este passo, se tem potenciais generosos, traz riscos enormes!
Para quem não é iniciado, ou mantém pouco interesse nestes assuntos, já se começou a assistir às penas alugadas entre nós a botar defeito na iniciativa de expansão dos BRICS, com vários argumentos.
O mais risível e contraditório é o argumento “democrático”. Depois de décadas de “amizade” íntima com a dinastia SAUD da Arábia Saudita, onde mantém inclusive base militar, os norte-americanos espalham entre nós a sua repugnância contra regimes ditatoriais.
Vale para a Arábia, vale para os Emirados, mas vale mesmo é para o Irã!
Nós, brasileiros, não somos obrigados a admirar os regimes políticos destes povos ao repetirmos nossas convicções democráticas, mas estas penas alugadas pela inteligência norte-americana não nos farão esquecer de que o regime Iraniano do Xá Reza Pahlevi se estabeleceu de forma violenta com um golpe fomentado pelo Ocidente, na disputa por petróleo, então nacionalizado pelo primeiro ministro Mossadegh.
Preste atenção Lula! Pede ao Celso Amorim para te renovar esta história. É disto que se trata! É a este universo complexo que o Brasil está sendo levado.
O redesenho da envelhecida estrutura das Nações Unidas deve ser uma reivindicação de toda a comunidade internacional. Só com uma arquitetura mais moderna, a humanidade será capaz de confrontar problemas verdadeiramente globais tipo a emergência climática.
Somente com um foro mais dinâmico e democrático seremos capazes, como humanidade, de banir a violência como solução de conflitos.
Lutar por um lugar em um conselho de segurança da ONU, em que alguns poucos têm poder de veto, me parece uma coisa pouco inteligente se esta é a moeda de troca que se impõe ao Brasil porque se percebeu o apetite de Lula por esta vitória meramente simbólica.
Nossa pedida no ambiente do novo BRICS deve ser, ainda que para uma transição, volto a dizer, coisas práticas! Assim, e só assim, testaremos a “sinceridade” objetiva dos parceiros em direção a uma nova ordem mundial.
O Banco do BRICS é bem menor do que o Banco do Nordeste do Brasil e não sabe operar! Não conheço uma única operação relevante que tenha tido impacto concorrencial com o Banco Mundial ou mesmo com a CARF. Ampliar o capital, financiar infraestruturas públicas, fomentar o capital humano, financiar inovações tecnológicas e a disseminação das práticas da economia do conhecimento com capitais sócios e não de crédito, seriam novas tarefas do Banco presidido por Dilma Rousseff e sediado em Xangai.
Esta é uma perna concreta de uma possível nova ordem: dar ao mundo pobre alternativas de financiamento rebeldes ao dogma neoliberal rentista que é o braço ideológico da ordem unipolar.
Transferências tecnológicas sensíveis! A Índia acabou de colocar uma sonda próxima ao polo sul da lua, no seu lado escuro (iniciativa pioneira) e o Brasil não “sabe” lançar um foguete.
A China está evoluindo para a tecnologia 6G e o Brasil não “sabe” fazer 80% dos remédios que consome ou importa, nem sabe fazer 80% do valor de um carro “fabricado” aqui e toda a sua eletrônica.
Os aviões e barcos e foguetes (de curto alcance) de nossas forças armadas são guiados pelo GPS norte americano.
Enfim, equalizar a distribuição da maturidade tecnológica no mundo, é base sem a qual uma nova ordem internacional é só papo furado. Começar neste embrião de grupo que representa 36% do PIB do mundo seria revolucionário! Na atual divisão internacional do trabalho está marcado para o mundo pobre, e para nós brasileiros, o lugar de produtores de bens primários, as commodities, ou seja, um buraco de mineração e petróleo, e uma grande fazenda de proteínas animais e vegetais.
Isto é insustentável! Todos os nossos esforços de política exterior devem, disciplinadamente, buscar regimes de preferências comerciais INDUSTRIAIS.
Se a China é sincera em sua busca de uma parceria estratégica com o Brasil e com os outros parceiros mais atrasados, é ela quem deve abrir-se a uma negociação prática conosco e com os outros membros.
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QUEM MATOU MÃE BERNARDETE OU A APARENTE INDIGNAÇÃO SELETIVA DO PETISMO |
Até o momento em que escrevo esta carta, as autoridades baianas ou federais, não tinham prendido ninguém pelo assassinato bárbaro da Ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete, em Simões Filho, região metropolitana de Salvador. Pior, o esquisito governador da Bahia totalmente incapaz da fazer frente à escalada que levou a Bahia a tomar a liderança do Rio e São Paulo em violência policial no Brasil, ainda teve a infelicidade de mencionar “guerra de facções” como possível causa deste atentado claramente perpetrado por profissionais.
Com isto, o governador do QUINTO governo petista seguido na Bahia busca um álibi para sua impotência.
Parece não perceber que criminalizar a vítima - uma autoridade religiosa, líder das causas negra e ambiental, e que NADA tem a ver com a guerra de facções que dá as cartas na periferia do Brasil inteiro - não tem força de criar a mínima cortina de fumaça na falta de ação e inovação institucional do QUINTO governo petista da Bahia e do Brasil.
Tampouco terá qualquer efeito sua tentativa - em parceria com seu antecessor, o atual ministro chefe da Casa de Civil do governo Lula, Rui Costa- de levantar suspeita sobre as estatísticas do Fórum Nacional de Segurança Pública, que deixam a Bahia em péssima posição.
Não sejam ridículos, senhores governadores! Mãe Bernadete já vinha relatando o incremento de ameaças a si em virtude da ação de grileiros que queriam avançar sobre o Quilombo Pitanga de Palmares, área de proteção ambiental que a militância dela atuava para defender. |
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Eis aí pista forte governador, dado que a prática de assassinatos por este tipo de gente é muito conhecida entre nós brasileiros. Quando mataram Marielle Franco e seu motorista Anderson, com muita razão uma grande onda de indignação nos percorreu a todos os brasileiros de boa fé.
Mal esfriou o corpo de Mãe Bernadete, crivado por nada menos do que DEZ tiros, dentro de sua casa, e na presença de crianças, e já parece que começa a se formar um sintomático silêncio!
É, de novo, a indignação seletiva da “ex-querda” brasileira liderada pelo PT. Quando foi o bolsonarismo carioca o suspeito do atentado contra Marielle e um governo bolsonarista o responsável pelo deslinde do bárbaro crime, toda a indignação e até ministra se nomeou em homenagem justa a esta memória.
Quando a vítima é uma negra, pobre, nordestina, do candomblé, ambientalista, e o governo responsável pela apuração, repressão e prevenção é um governo petista, aí certas atitudes e conteúdos mudam.
Começa a pairar certo tipo de silêncio e inação como os que deixaram sem proteção Mãe Bernadete, supostamente “protegida”, pelo Sistema de Proteção de Testemunhas, desde o bárbaro assassinato de seu filho, cinco anos atrás.
Que vergonha!
Este espaço não vai se calar nem deixar de cobrar uma solução: QUEM MATOU MÃE BERNADETE? QUEM MANDOU MATAR?
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FORÇA LUPI - OU O ESTRANHO CASO DOS JUROS DOS CONSIGNADOS |
Na base do escândalo do mensalão, no primeiro dos cinco governos do PT, estava o Banco Rural. Foi este banco que recebeu, “de graça”, o cadastro dos aposentados do INSS. Nossos aposentados passaram a receber, desde então, o assédio do sistema financeiro para realizar uma das mais imorais operações de crédito do mundo! |
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O Banco Rural passou a “doar” dinheiro aos montes para os políticos indicados pelo PT. Seria como uma “gratidão” pelo excelente negócio que os bancos, dali em diante, passaram a ter: emprestar dinheiro sem risco, com custo operacional perto de zero, e com juros absolutamente CRIMINOSOS!
Nasce, como obra petista, o EMPRÉSTIMO CONSIGNADO, até então praticado em pequena escala em governos estaduais e municipais, “sensíveis” ao charme do sistema financeiro. |
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Vale explicar porque o consignado é de zero risco e de custo operacional mínimo, sustentando nada menos que os criminosos juros que se cobram dos pobres idosos brasileiros. O valor do pagamento das parcelas é descontado da aposentadoria TODO MÊS pelo próprio governo (INSS), que repassa aos bancos, sem qualquer remuneração, os valores recolhidos.
Quem diz os valores das parcelas unilateralmente são os bancos. Se um idoso adoecer gravemente, não tem a alternativa de adiar o pagamento da parcela para comprar um remédio, por exemplo. O desconto é compulsório e feito no ato de depositar o valor das pensões e aposentadorias.
Sem risco de inadimplência e com quase nenhum custo operacional, repito, os juros podem ir até a estratosfera que o "governo garante”.
Já mostrei aqui que o sistema financeiro brasileiro opera em cartel, ou seja, não há concorrência verdadeira que poderia fazer os juros caírem a mínimos civilizados. Sendo assim, no mundo CAPITALISTA inteiro, quando não há concorrência , os preços têm que ser administrados pelo governo.
Pois bem, coerente com uma vida inteira de críticas aos abusos do sistema financeiro brasileiro, o ministro da previdência social, Carlos Lupi, reuniu o conselho da previdência responsável por regular e normatizar as coisas do INSS para estabelecer um moderadíssimo controle deste inominável abuso.
Propôs, e obteve amplo apoio no coletivo, uma redução dos criminosos juros mensais de 2,14% ao mês para os ainda imorais juros de 1,70% de juros ao mês.
Com os primeiros juros, os banqueiros “tomavam” quase um terço da miserável aposentadoria de nossos idosos. Com a providência modesta, mas realista, do ministro Lupi passariam a tomar “apenas” pouco mais de um quinto da mísera aposentadoria (a maior parte de apenas um salário mínimo).
Mas nem assim, a fúria da banca se aplacou! Veio guerra total!
A liderança do cartel, FEBRABAN e seu poderoso lobby na mídia, no Congresso Nacional e no governo, caiu de pau em cima de Lupi. E entrou em boicote. Suspendeu sem nenhum respeito ao governo, as operações de consignado, contando com o inusitado apoio dos bancos do próprio governo (!) Caixa Econômica e Banco do Brasil.
Por ordem do próprio Lula, o ministro teve que achar uma solução salomônica: reduziu para “apenas” 1,97% ao mês.
Na data, a inflação projetada estava acima de 10% ao ano e a SELIC (taxa básica de juros do governo) já nos loucos 13,75%.
Pois bem, de março passado para hoje, a inflação está ao redor de 4% e a SELIC foi reduzida para 13,25% (caiu meio ponto percentual, portanto).
Coerente com sua história de vida, e em linha com os fatos e, acima de tudo, preocupado com os aposentados, Lupi convoca novamente o conselho (os bancos têm representação lá) e submete a votação e aprovação uma redução dos 1,97% ao mês para 1,91%. Quase nada, mas mesmo assim, o cartel insistiu novamente em agressão a Lupi, através de nota ridícula da FEBRABAN, na qual tem o desplante de dizer que “o produto” fica com “preços” abaixo dos “custos” vigentes. Mentirosos!
Curso de captação ZERO, inadimplência ZERO, custo operacional perto de ZERO! Força Lupi!
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ARCABOUÇO FISCAL APROVADO – AGORA VAI? |
Depois de muitas idas e vindas encerrou-se a votação do novo Teto de gastos do PT, renomeado de “arcabouço fiscal”. Já disse, é o filho bastardo do teto de gastos de Michel Temer, um pouco melhorado. Mas só um pouco mesmo! E todos verão, embora com mais clareza apenas no ano que vem.
Tento por aqui antecipar para os assinantes o que de fato aconteceu, suas consequências práticas e, aposto, a grande tensão que assistiremos quando a meta de “zerar” o déficit primário em 2024 ficar muito longe de se praticar.
Vamos repetir um conceito que me é muito caro: as contas públicas devem ser equilibradas e o endividamento do governo deve ser parcimonioso e sustentável ao longo do tempo. Digo isso porque a manipulação da opinião publicada logo coloca sob suspeição de irresponsável e populista qualquer crítica ao formato insustentável e, antes de mais nada, injusto com que estes valores são praticados hoje em dia entre nós.
Se nós radiografarmos o orçamento da União, vamos ver que quase 50%, ou seja METADE, da previsão de receitas e despesas para o ano em curso, estão comprometidos com UMA RÚBRICA APENAS (em resumo): JUROS e ROLAGEM DE DÍVIDAS VENCIDAS que o governo paga com novas dívidas.
Tanto o teto de gastos de Temer quanto seu filhote petista desconsideram olimpicamente este fato físico (desculpem o pleonasmo).
Todo o arrocho vem, portanto, tanto com o golpista quanto com os petistas em cima da outra metade do orçamento. Por que? Equilíbrio de contas públicas teria que envolver TODAS as despesas, né não, meu caro assinante?
Seria, se verdadeira fosse a ideia fim de austeridade fiscal. Seria, se o que se busca fosse mesmo o equilíbrio das contas e a sustentabilidade do itinerário da dívida pública no tempo. Não é. O que o arcabouço petista quer fazer é o mesmo que o teto de gastos queria.
Diante de um brutal conflito distributivo com relação às receitas públicas, alocá-las com prioridade é tarefa central da política. Os “donos da bola” do setor financeiro estão conseguindo colocar na Lei, inclusive com status constitucional, que sua parte do bolo tem que ser garantida e que a “austeridade” deve ser distribuída para todas as outras rúbricas.
Exemplo claro do que estou falando: o único lugar do mundo que eu conheça que tem um tipo de teto de gastos, fixado ano a ano (não com a rigidez de décadas como entre nós), é os Estados Unidos da América . A cada ano o Congresso Nacional norte-americano fixa um teto para TODAS as despesas. Todas mesmo!
Gastos militares, investimentos em estradas, subsídios à saúde, subsídios à educação, apoio a desastres naturais, e… serviço da dívida, juros e amortizações!
O objetivo nos EUA é claro: forçar o poder político a perseguir o equilíbrio das contas públicas.
Sem a mentirada geral de nossos governos, eles estimam também o tamanho do déficit anual (este ano vai passar de U$ 2 TRILHÕES de dólares o buraco) . Só para termos todos uma ideia, isto significa R$ 10 Trilhões de reais só de déficit! Mais que todo o PIB brasileiro!
Se chega no fim do ano e o governo não cumpriu o teto previsto, para tudo! E o poder político entra em um tremendo debate, que acaba alcançando a opinião pública inteira, para decidir o que fazer para concertar o “rombo” entre a realidade e a previsão anual.
Cortar despesas e/ou aumentar as receitas é o método. Invariavelmente acabam por fazer um pouco de cada para diluir ao máximo o sacrifício necessário à busca do equilíbrio pretendido ou preservar prioridades mais sensíveis. |
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Não é nada disto que o teto de gastos do PT está nos impondo. Nenhuma tensão sobre o maior gasto corrente individual hoje previsto em nosso orçamento: R$ 700 BILHÕES de reais serão gastos apenas com JUROS! Como estamos em grande déficit (fiquei com vergonha de chamar de grande depois dos números americanos), vamos botar na dívida toda esta dinheirama.
Já disse e vou repetir: a constituição brasileira e a legislação complementar DETERMINAM o controle e a limitação da dívida pública. Falta apenas uma resolução do Senado Federal, mas o poderoso lobby dos banqueiros só quer limite para os “outros” gastos, a saber: gastos previdenciários, custeio da saúde, custeio da educação, defesa e investimento, afora tudo o mais tipo segurança pública, portos, aeroportos, estradas, ferrovias, enfim, TUDO!
Rendido a este mesmo poderoso Lobby, o QUINTO governo do PT com Lula liderando conscientemente, nos entrega um novo teto de gastos, deixa a parte do rentismo livre de qualquer limite e arrocha tudo o mais. Só que, mentirada geral, todos verão que este arcabouço é para “inglês ver” ou seja, deve ser daquelas leis que “não pegam”. A conferir.
Deixe eu lembrar como funcionam as coisas para dar base ao meu raciocínio: há um punhado grande de despesas que são obrigatórias , vale repetir. Nem que queira, o governo tem como deprimi-las. O maior exemplo destas é a previdência social. Outras há que são vinculações até de status constitucional. Um exemplo forte destas é o FUNDEB que, a propósito, ficou fora do novo teto de gastos do PT.
Assim, em resumo, quem vai pagar o pato do arrocho mesmo é o investimento, o dinheiro que financia o que é de interesse popular, o subsídio à moradia embutido no minha casa minha vida reeditado, por exemplo.
Mais mentirada. O governo anuncia zerar o déficit (hoje em mais de R$145 bilhões de reais e contando) em apenas 12 meses de 2024 e, promete, com uma “sobra”. Um superávit a partir de 2025. A partir daí, por isto melhorzinho o filho bastardo do teto de gastos, o governo se autoriza a aumentar o gasto (investimento ou custeio) em R$ 75 reais a cada R$100 reais de “sobra” que conseguir no aumento das receitas. A diferença vai pros leões do lobby rentista.
Ora, sucede daí, para quem não quiser se enganar, que as coisas só vão melhorar em matéria de investimento (hoje o pior numero da história) se e somente SE as receitas melhorarem nesta gigantesca proporção de zerar o déficit para cima (estamos falando num acréscimo de receita da ordem de R$ 150,9 bilhões de reais em apenas 16 meses – 4 restantes de 2023 e 12 meses de 2024).
Dá pra fazer, mas nem de longe com o papo furado do governo (a mentirada é geral, só não sei se Lula está na mentira junto ou se será a primeira vitima da mentira espalhada por Haddad) de aumentar expressivamente a arrecadação (hoje está em queda) com perfumarias pouco estudadas tais como tributação de importação pela pequena burguesia pela internet, tributação da jogatina que se generalizou no Brasil, ou mesmo, ainda que justo, a tributação de dinheiros que o baronato guarda fora do Brasil as chamadas off shores.
Não sei se é pior, mas para promover esta versão bastarda do teto de gastos Lula liberou, pasmem os assinantes, até aqui, R$ 21,4 BILHÕES de reais de emendas, muito mais que o corruptissimo governo Bolsonaro liberou no mesmo período do ano eleitoral passado.
Alô Chico Buarque, avisa ao seu amigo que VDM! No auge dos escândalos do governo Lula, Chico Buarque teria dito – li na imprensa – que Lula precisava criar o Ministério do Vai dar M… |
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1. Crise à vista: por ordem direta de Lula, a Advocacia geral da União emitiu parecer prévio considerando perfeitamente legal a exploração de petróleo na costa brasileira 500 Km à frente da foz do rio Amazonas. Marina Silva não tinha o mais remoto direito de desconhecer como Lula age, mas sua vontade de ser ministra fê-la (eita Michel Temer) esquecer tudo! Que desate este nó agora!
2. A CODEVASF virou mesmo uma ATM machine (caixa eletrônico) do governo Bolsonaro, ops, Lula. É só meter o cartão renovado do orçamento secreto e tirar rios de dinheiro! Aos pseudo jornalistas brasileiros uma sugestão: comparem os preços unitários dos itens e das obras que ela financia mediante convênios de toda sorte, com a tabela de preços unitários periodicamente publicados pela Fundação Getúlio Vargas, ou com compras semelhantes de tratores, por exemplo, pela iniciativa privada.
3. Por enquanto uma rapidinha, mas o assunto vai pipocar já já. Já informados da mentirada do Teto de gastos do PT, o arcabouço, o baronato vai trazer de volta com toda força a “inadiável” necessidade de uma reforma administrativa! Nós usuários do serviço público, cansados de sofrer nas mãos da burocracia muitas vezes corrupta ou na precariedade dos serviços essenciais, seremos bombardeados com a propaganda contra o Estado e seus servidores. Não duvidem, os que fazem esta propaganda estão se lixando para a agonia popular, querem mesmo é mais dinheiro para seus bolsos insaciáveis .
4. A Argentina viveu esta semana um tempo de caos. Mais de 150 tentativas de saques a supermercados dão a indicação da tragédia a que os demagogos que a governam levaram este grande País. O mal que esta esquerda traidora tem feito aos nossos povos não tem tamanho! |
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